Mostrando postagens com marcador enchentes em Palmares-PE. Mostrar todas as postagens
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Medo da chuva

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Uma madrugada toda de chuva forte e me acordo sobressaltada. Tenho antlofobia ...medo de inundações...pânico de chuva sim...dos pingos fortes batendo nas janelas...da força da água que chega alagando as ruas e tirando o sono tranquilo daqueles que moram num casebre e temem o deslizamento.
Perco o sono e não consigo mais dormir quando penso nos bebês chorando e no desespero dos pais querendo uma proteção quando a lama invade as suas casas.
Rogo a Deus piedade para aqueles que sofrem numa noite de tempestade. E agradeço quando o barulho da chuva vai diminuindo...
Quando pequena, precisamente aos 7 anos de idade, me deparei com a primeira enchente na minha cidade. E depois vieram outras, perdi até a conta, até quando em 2010 tivemos a A maior enchentemaior enchente que devastou quase toda a cidade.

18 de Junho de 2010

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Impossível não sofrer no dia de hoje com as lembranças amargas do 18 de Junho de 2010.
Chuvas desvastadoras chegaram nos tirando a paz e o sossego. Nunca pensei presenciar tanta desgraça em um cenário que mais parecia de guerra.
E os rios que banham a cidade vieram arrastando tudo. Trazendo a lama, animais mortos e destroços por onde passavam. 
Salvamos nossas vidas e nossas casas, tivemos sorte, o que a maioria de outras pessoas não tiveram. A maior catástrofe que já presenciei em toda minha vida como afirmo aqui nesta postagem de 5 anos atrás.                                   

E a vida continua

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Apesar da minha descontração de ontem por ser o dia dedicado as mães, minha preocupação continua em relação as chuvas...
Voltei para minha casa(estava alojada na casa do meu irmão André), mas as minhas coisas continuam todas trepadas em lugares altos. Em baixo, só o necessário para o dia a dia...
Dessa vez tive muita sorte da enchente ter parado na esquina de minha casa. Sabemos que o inverno ainda não começou e viveremos em alerta até o verão chegar...
A farmácia já está funcionando na medida do possível, só com os medicamentos mais necessários. Ainda estamos com muita coisa embalada e em lugar de segurança. O que não podemos é ser pegados de repente por uma nova enchente.

Lembrando agora de um episódio que aconteceu sexta feira: Estávamos limpando a Farmácia e tentando colocar os remédios nas prateleiras, quando alguém bateu na porta desesperadamente. Tivemos até medo de que fosse um aviso sério de alerta... mas não, era uma p.... de uma mulher querendo entrar para se pesar! Ainda insistiu querendo que a gente colocasse a balança pra ela! 
Quem sabia onde danado a balança foi parar numa loucura de tentar salvar na enchente?

Ai que raiva dessa imbecil que nem se toca nessas horas... 


Outra coisa engraçada é que abandonaram um gatinho numa caixa de sapatos, só a cabecinha de fora... mas esse ai teve mais sorte e encontrou um dono ligeirinho...




Minha Palmares sofrida

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A noite parecia não ter fim naquela madrugada de terça feira. Telefonemas avisavam que vinha muita água pelos rios que banham nossa cidade. A aflição  aumentava cada vez  mais e a chuva caia mais forte...
O que se via nas ruas eram pessoas enlouquecidas carregando seus movéis e roupas tentando salvar e colocar em lugar de segurança. O caos se fez presente nas ruas com os carros em contramão...
Muita tristeza passar por tudo isso novamente em menos de um ano...


.Imagem e vídeo: DENILSON VASCONCELOS

Rio Una

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E o Una continua subindo, mas o que nos dá mais tranquilidade é que sobe lentamente, diferente do ano passado quando houve aquele horror com ondas devastando tudo...
 Segundo informações precisas, as águas das cidades de Catende, Maraial e Belém de Maria já estão bem baixas , e não chove por aquelas bandas agora.



O Sonho de minha mãe

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Aos cinco anos de idade, minha mãe ganhou um lindo Piano de presente de meu avô.  Um Dorner com candelabros de bronze.
Iniciou sua carreira de pianista desde então, e aos oito aninhos já fazia sua primeira apresentação em público. Ainda muito jovem tornou-se professora de piano. Então veio o casamento com o meu pai, vieram os 10 filhos e e piano foi ficando para o décimo primeiro plano.
Mas a paixão de minha mãe por seu  piano continuou por toda a  vida . Até que vieram as enchentes em junho de 2010, e a casa de minha mãe ficou quase que coberta pelas águas. O piano ficou de molho na lama e quase foi perca total...
Hoje o piano encontra-se dessa maneira. Teclado solto, todo o madeiramento comprometido. Uma grande pena ve-lo hoje assim.Abandonado e largado num canto . Sem vida...sem esperança...
Até que domingo,como uma transmissão de pensamento, me deparei com uma matéria no jornal sobre o Chico do Piano.O consertador de Piano. Uma reportagem linda que me emocionou. Não pensei duas vezes e dei uma ligada pra ele e agendei para que ele viesse aqui na nossa cidade da uma olhadinha no piano.
Hoje pela manhã o Chico veio até Palmares junto com o seu irmão . 
 Vocês não tem idéia da alegria da minha mãe em conhecer "o Concertador de Pianos", que foi matéria domingo no Diário de Pernambuco, do jornalista Daniel Leal.
Sabemos que o Piano será um desafio para ele. Na verdade, sentimos que o Chico se sensibilizou com a história da minha mãe e o sonho em te-lo de volta restaurado.
Eu bem sei que não foi por acaso tudo isso.  A minha querida tia bem que está feliz lá no céu, vendo a felicidade da Nina dela.
O Profissionalismo de Chico trará de volta a emoção e o som que tanto nos emociona.
Acertamos com o Chico os detalhes e despesas da restauraçao e com a ajuda de 4 homens, o Piano foi colocado no carro e seguiu viagem para  Recife PE.  O banquinho do piano também foi junto.
Esse foi o presente de aniversário de minha mãe que está completando 84 primaveras amanhã dia 20. Sei que ela hoje dormirá mais feliz e acordará mais feliz ainda porque o sonho dela está sendo realizado.





Minha terra

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A minha preocupação e também a de milhares de Palmarenses, é saber como viveremos nessa área de risco de novas enchentes na nossa cidade, uma vez que até agora nada saiu do papel em relação as construções das barragens de contenção das cabeceiras do rios que banham nossa cidade. 
A pergunta fica no ar: Se é prioridade e meta do Governo Eduardo construir prédios Públicos em local alto, para livrar de novas enchentes, e as nossas casas, que ficam na parte baixa da cidade , no coração de Palmares, que iremos fazer? se nada for feito para impedir que a cidade seja tomada por enchentes , quando começarem as chuvas??? O comércio será invadido e mais uma vez perderemos tudo o que estamos reconstruindo com nosso esforço e trabalho? 

Na Mata Sul pernambucana, área mais atingida pelas enchentes ocorridas há cinco meses no Estado, esgoto e lixo contaminam a água. Construções e aterros tornam as margens mais estreitas. No trabalho de reconstrução das cidades, é preciso também cuidar do meio ambiente.
Em Palmares, trabalhadores reestruturam o sistema de saneamento da cidade. Só que a tubulação novinha em folha já leva água de esgoto diretamente para o Rio Una. Tudo de que ele não precisava.
“Em Palmares existe o projeto de criação de uma estação de tratamento de esgoto. É evidente que, tomando conhecimento da matéria, já estamos atuando na área. Já me comuniquei com o pessoal da equipe técnica de campo que, em breve, deve ter um levantamento completo da situação da área”.
Nossa Terra tem palmeiras onde canta o sabiá,não podemos deixar ela ser enterrada com a memória dos poetas.

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias

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A loucura dos Controlados

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Depois das enchentes que aconteceram em junho aqui na cidade, as pessoas ficaram a flor da pele mesmo. Paranóias, pânicos tomaram conta das pessoas que foram atingidas e o resultado disso eu comprovo no balcão da nossa farmácia todos os dias. É uma danação de gente com receita de controle especial.  Parece até brincadeira, mas é pura verdade. Os doidinhos pioraram e os que eram normais, estes agora sofrem de "nóia":medo de barragem estourar, pânico de chuva...  tem gente até que fica monitorando a chuva através de sites de clima. A loucura aumentou mesmoooooooo e o Rivotril é o campeão de vendas.
Tudo bem que todos nós temos as nossa nóias, ainda mais para quem sobreviveu sendo resgatado de cima da laje de sua casa, como foi o caso de muitos amigos meus.Mas a verdade é que os médicos não receitam mais calmantes naturais. Eles acham mais fácil dopar o paciente e vicia-lo. Os fitoterápicos então, alguns médicos acham que não funcionam.  E haja remédio controlado!!! E haja tarja preta

Viva Mais foi notícia em Sites Famosos

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 Em meio a tragédia que devastou parte da nossa cidade, fiz do meu blog um meio de ajudar . Através dele consegui doações e ajudei pessoas a saber notícias de parentes desabrigados. Diante disso fui manchete em vários sites Correio do Brasil ,  UOL ,e  IG com relatos do meu blog VIVA MAIS  sobre a enchente de junho.


Da Redação do Portal +AB
Por Anderson Melo


Minha dor é tão grande. Por querer ajudar as pessoas e não conseguir. Por ver as lágrimas de minha mãe ao saber que sua casa ainda está um horror: seu querido Piano,jóia mais valiosa que ela possui, se estragando de molho no lamaçal. Meus irmãos sem poder voltar para casa, sem ter água para limpeza e nova ameaça de abrirem as comportas da barragem . Minha tia, sofrendo numa cama com esse mal que se instalou em todas as famílias, que é o câncer, e ainda tendo que saber que não pode voltar para casa, pois pode pegar uma infecção causada pela podridão em que a cidade se encontra.” 
O relato acima é de uma moradora de Palmares. Através das palavras, dá pra sentir a angústia, o tormento, a falta de esperança que atinge os moradores da cidade da Zona da Mata Sul pernambucana, que fica a 125 km do Recife. Elas foram publicadas na internet por Teresa Cristina Aragão, em um blog (www.vivamaisviva.com). Aliás, a internet foi um dos poucos caminhos que conseguiram documentar a tragédia de forma rápida. 


 Muitos outros sites também copiaram meu depoimento.
Espero que em breve estes sites também  anunciem que Palmares está em plena transformação , com fábricas  e industrias,afinal tem tanto político brigando por voto nesta época aqui em Palmares, que acredito eles estão dispostos mesmo a trabalhar por nossa cidade.
Este é o sonho de todo Palmarense: ver nossa cidade prosperar e deletar definitivamente estes destroços da enchente em nossa memória.
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Palmares Despedaçada

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Caminho a passos lentos sem pressa alguma. Sigo os rastros da destruição desviando dos escombros entulhados pelas ruas, avenidas, jardins e praças da cidade despedaçada pelo tsunami catastrófico que arrasou nossa querida Palmares.
Horroriza-me sua paisagem devastada, e do que dela sobrou; e que permanece escancarada nos olhares incrédulos das pessoas em tons soturnos de sofrimento, desespero, angústia e de medo. Dói-me a alma ver-te sombria, com teus casarios chafurdados na lama fétida, corrosiva e contagiosa. Em outras moradias, a sorte não foi complacente. Foram impiedosamente arrastados pela fúria incontrolável da terrível enxurrada, não restando sequer, nem mesmo o próprio terreno. Corta-me o coração olhar-te desguarnecida, intransitável, pois viraste um grande amontoado de sujeira. O teu tradicional comércio conta e reconta prejuízos incalculáveis. E não se sabe ao certo, se sobreviverá: esperar pra ver!
Escrevo, tentando descrever o indescritível. Seria o fim dos tempos? Uma tragédia apocalíptica? Ou apenas mais uma tragédia anunciada e irresponsavelmente não revelada pelas autoridades competentes?
E eu sigo, sigo em busca do nada, ou quem sabe do tudo perdido. E procuro, como quem procura no palheiro, as reminiscências de um passado que jamais será esquecido. E lembro Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. É preciso seguir em frente, afinal de contas, a vida é um eterno recomeço.
Caminho sobre o mundo das incertezas, driblando obstáculos quase que intransponíveis. Mas é preciso não se deixar abater. Levantar a cabeça, agradecer a Deus por tudo e seguir em frente.
Reencontrar meus próprios passos, à medida que a caminhada se faz longa e tortuosa. São os percalços da vida.
Não passa despercebido aos meus olhos e ouvidos o clamor de uma velha senhora, que chora e implora de joelhos, com o olhar lacrimoso, e o rosto curtido pela amargura e desesperança. Valha-me Nossa Senhora do Desterro, valha-me Deus, ajuda-nos oh Senhor! Tende piedade de nós.
Bem pertinho de mim, um cachorro mestiço de grande porte uiva aflitamente, e no seu uivo lamurioso e solitário presume-se que seu querido dono também tenha sido sugado pela correnteza abaixo...
O crepúsculo no horizonte indica o final da tarde. Inexoravelmente, caminho até chegar as margens do velho Rio Una. E lá está ele, tripudiando das nossas lamentações. Perene, majestoso, largo, brilhoso e limpo. Devolveu-nos com juros e correção toda sujeira que nele depositamos.
Chega a noite. E eu te vejo trêmula de frio, encharcada, moribunda entregue a ratos, baratas e outros indesejáveis insetos que te corroem dia-a-dia.
E hoje sem tuas vestes luminosas e acolhedoras. Completamente nua, desprotegida, desamparada. Agonizante! Sem tuas praças, sem teus colégios, sem o grande marco do teu cotidiano, que é a biblioteca municipal, sem teu passado, sem tua história. Mas não haverá de ser nada, bastará dia após dia, ano após ano.
Não te abandonarei. Continuarei a vigiar-te e a querer-te e a amar-te! Mesmo sabendo que parte de ti foi totalmente dilacerada. E surgirás, e te erguerás. Ressurgirás das cinzas, como a Fênix, pois és a canção da própria natureza! “terra de cultura e de grandeza”.
E para mim, continuarás sempre sendo a minha princesinha.  A princesa dos canaviais, a minha pérola irradiante. A eterna pérola do Una!

Palmares hoje e sempre!



Genésio Cavalcanti


Devastação e Abandono

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Foi uma devastação. Quase duas dezenas de cidades destruídas. Famílias dizimadas. Centenas de desaparecidos. Várias mortes. Um cenário de terra arrasada. Moradores enfrentaram, incrédulos, um tsunami de ondas violentas que levaram tudo por onde passaram. O Brasil, em regiões habitadas pela camada mais necessitada de sua população, exibiu de novo, sem retoques, a marca de um país completamente despreparado para eventos cataclísmicos. Dessa vez com um poder de estrago surpreendente. Autoridades, resignadas, demoraram tempo demais para prestar socorro e deixaram as vítimas, por dias, largadas à própria sorte. Foram incapazes de mostrar agilidade, de organizar um movimento de trabalho minimamente coordenado na direção de salvar aquelas famílias. Era mais fácil esquecer. Assistir. E o quadro só se agravou. Com poucos recursos materiais e quase nenhuma importância política para inquietar governantes, esses nordestinos ficaram à mercê da natureza, perplexos diante da varredura de suas vidas. O Estado falhou grotescamente. Em uma dimensão sem paralelo. Mesmo depois da experiência com eventos semelhantes ocorridos há pouco no Sul e Sudeste do País. Por estarem localizados nos recônditos do mapa, fora das capitais, esses brasileiros viveram seu drama como em um Haiti isolado, longe do resto do Brasil pujante que cresce à taxa de 9%.
Tiveram de disputar espaço e interesse com o noticiário da Copa do Mundo e não conseguiram sequer despertar, com o mesmo fervor, o sentimento de solidariedade geral que normalmente brota entre os cidadãos nesses momentos. Milhares de nordestinos passam exatamente agora pela dor da perda total. Sem terem o que comer, onde viver e para onde ir.



Carlos José Marques


ISTOÉ INDEPENDENTE






Aos candidatos em campanha, que só aparecem nessas localidades quando estão à cata de votos, uma boa sugestão seria evocar a mobilização e arregaçar as mangas. Gesto por demais louvável – com a feliz coincidência, para eles, de poder fazer isso em um ano de corrida às urnas.






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Chegando o dia

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O tempo é o melhor remédio para a gente esquecer a tristeza, o sofrimento e partir para uma nova etapa de vida. Ainda não sei que rumo vou tomar, quando penso em minha casa, todas as coisas que perdi, a cidade que é só destruição, meus irmãos e minha mãe afastados das casas ainda, o falecimento de minha tia, enfim, tudo mudou muito desde 18 de junho.
Faltam 5 dias para o casamento da minha filha, e como tudo já estava agendado e pago, nada mais justo que realizar e fazer deste dia um dia especial. Afinal, Henrique e Nísia esperam por este dia há tanto tempo.
 Meu vestido já estava comprado e guardado em minha casa, e precisamente no dia da cheia, foi a única coisa que coloquei na minha bolsa,antes de sair de casa.
 Estou tentando superar tudo e sei que amanhã vou estar melhor que hoje. Como minha tia dizia nos últimos dias de vida dela, que queria muito assistir ao casamento de Nísia, com a permissão do Pai ela vai está lá na Igreja abençoando os dois.

O Dilúvio em Palmares

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DVD sobre dilúvio vira “sucesso” em Palmares
No Centro Social Urbano de Palmares, onde estão 42 desabrigados, um grupo se reuniu em frente à televisão na manhã de ontem para assistir a um filme que a primeira vista parecia uma obra ficcional em que uma catástrofe natural destroi mundo em poucas horas. O mote até era esse mesmo, mas as imagens não eram de nenhuma produção feita em Hollywood. O cenário foi a própria Palmares.

Uma compilação das cenas de desespero acontecidas há cerca de 20 dias no município, viraram um DVD com o nome de “Enchentes 2010 Palmares”, vendido a R$ 2 nas ruas. Questionados se não se sentiam mal revivendo a tragédia pela qual eles mesmos passaram, os espectadores garantiram que não. “É que dá uma curiosidade. Mas tem gente que prefere não ver, diz que é para não sofrer de novo”, afirmou Valéria de Lira, 37 anos.

Ali no Centro, várias famílias dividiam o almoço de domingo. Em meio a toda aquela intimidade forçada, as pessoas tentam garantir um pouco de privacidade dividindo pequenos lotes de espaço separados pelo que sobrou de pertences. As crianças que perambulavam pelo lugar, brincando entre as roupas que foram doadas e improvisando jogos, contavam o sofrimento que viveram. Bruna Stérfany de Alcântara, 9 anos, explicou que ficou ilhada junto com a mãe e os irmãos na sua residência e foi resgatada de helicóptero. “Meu pai tentou me tirar de lá nas costas dele, mas a parede deu um choque e jogou a gente para longe. Mas a hora que eu mais tive medo foi quando vi os postes pegando fogo. Foi horrível”. E o que é o pior de estar no abrigo? “Aqui é muito frio, a gente dorme no chão duro”. Já Paulo Ferreira de Silva, 7 anos, um dos mais simpáticos do grupo, o rosto cheio de arranhões, argumentou o triste motivo pelo qual ele prefere morar no abrigo do que na sua antiga casa. “Na minha casa não tinha muita comida e aqui tem!”, disse, abrindo um enorme sorriso.




FOLHAPE

entulhos e lama..

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Além de todos os estragos, o contato com a água das chuvas pode causar diversas doenças. A prevenção e a informação ainda são os melhores tratamentos. A Prefeitura está conscientizando para evitar que as doenças se espalhem.

Palmares está sem Passado

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Nas cidades da Mata Sul de Pernambuco atingidas pelas enchentes, ainda há muita lama nas ruas e dentro de casas e prédios públicos. No Fórum de Palmares, milhares de documentos foram perdidos. No cartório, as certidões ficaram debaixo d´água e parte da história da cidade foi embora com a enchente.

Duas semanas já se passaram e o prédio da Prefeitura ainda está sem água, sem luz e sem telefone. Três secretarias municipais funcionam no local e os servidores estão desnorteados, pois não sabem como salvar os documentos. Todo dia é de limpeza, mas somente o gabinete do prefeito está como antes.

No setor judiciário há caos, tanto no cartório eleitoral como no de registro civil. Ficou tudo submerso: certidões, documentos diversos. Nada sobrou para comprovar parte da história do povo de palmares.

No Fórum não há sinal de expediente. Nada de móveis, computadores nem mesmo energia. Mais de seis mil processos estavam lá, mas a lama só poupou alguns. Nenhum, entretanto, da Vara Criminal.

 “Vamos fazer uma triagem pra ver o que é que pode recuperar, o que é possível recuperar. infelizmente a gente sabe que muita coisa vai ser perdida, terá que ser jogada fora porque não tem como recuperar. É muita lama”, informou Aparecida Maria Cavalcanti, secretária do Fórum.

Sem documentos, sem a lembrança do passado e sem trabalho, os moradores de Palmares se sentem sem rumo. Procuram achar um ponto para, a partir dele, recomeçar.

A cozinheira Damiana da Costa morava num bairro que foi devastado e está morando em casas de amigos: “perdi tudo, perdi meu lar. Só tenho minha vida e a do meu filho. Perdi minha casa, a cheia acabou com tudo”.

Palmares tenta sobreviver, mas o serviço na rua parece não ter fim, muito menos a angústia dos moradores

Jesus, eu confio em vós!

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Ao chegar em Recife no meu apto que já estava pronto para receber minha tia, no quarto encontramos um banner presente de uma amiga dela. Era esse belo banner:
JESUS, EU CONFIO EM VÓS! Colocamos na frente da cama de tia e assim ela fica contemplando .
Acho que nunca na minha vida me senti assim: perdida num mundo de sofrimentos e tristezas.Pensar que minha casa ta lá em Palmares cheia de lama das enchentes. Roupas,movéis,deixei tudo lá e vim para Recife . Impossível ficar em Palmares.Sem recursos médicos nenhum, principalmente depois das enchentes. Se antes já não tinha atendimento médico , imagina agora.
Me vejo sozinha para cuidar de minha tia , e quando penso que vou ser amparada por algum profissional, tudo da errado,como hoje, quando liguei para um médico Psiquiatra, indicado por uma médica amiga nossa. Ele simplesmente me falou que não poderia atender minha tia no meu apto,pois tinha que marcar com a secretária dele e agendar na semana. Eu falei que ia pagar a consulta, mas ele me disse curto e grosso que não trabalhava assim. Eu respirei para não mandar ele para aquele canto, e desliguei o cel.Minha tia estava desesperada em pânico e precisava urgente ser medicada melhor.Segui minha intuição e repeti a dose do rivotril.Pronto, deu certo.
Amanhã é outro dia e quem sabe , Deus vai nos da uma mãozinha amiga e tudo vai mellhorar. 
Outra médica Oncologista me falou que estou errada e que toda a responsabilidade está nas minhas costas que estou pirada de ficar com ela em minha casa desse jeito.
Eu queria saber se fosse a mãe dela se ela jogaria num Hospital.
Eu não vou jogar  minha tia num quarto de hospital. Já prometi isso a ela e vou até o fim aqui no meu apto.
Eu e Zanza daremos conta dessa missão. Assim seja. AMÉM!